quinta-feira, 13 de junho de 2013

Disciplina é um dos principais pilares para construirmos patrimônio

12.06.2013 - 23h40

Como vencer a falta de disciplina?


Defendi no artigo anterior (clique para ler) que nós, investidores brasileiros, estamos diante de uma necessária mudança de cultura. Ou aprendemos a enxergar (e planejar) o longo prazo e passamos a lidar melhor com o risco (optando por investimentos mais arrojados) ou estaremos fadados a rentabilidades modestas e, em muitos casos, equiparadas à inflação.
O tom das opiniões foi favorável às sugestões, o que denota amadurecimento na discussão, mas não faltaram mensagens apontando a falta de disciplina como o principal obstáculo para a mudança de hábitos proposta por mim. “Investir no longo prazo através de aportes constantes exige uma disciplina de investimento que o brasileiro não tem”, apontou Milena Coelho, de São Paulo.
É fato! Disciplina é um dos principais pilares para construirmos patrimônio. Mas, cuidado, podemos concordar com essa realidade e agir de duas formas distintas: apoiar-se nela, como uma muleta, para usá-la como justificativa para não crescer; ou encarar o desafio de criar novos hábitos que nos aproximem do desejado estado disciplinado.
Pense bem: qualquer área que desejamos desenvolver requer níveis de disciplina muito elevados, seja para estudar um tema de forma profunda, seja para frequentar determinados lugares ou mesmo para refletir sobre temas relacionados ao que queremos dominar. Ou seja, disciplina é pré-requisito para ser bem-sucedido.
Três formas de disciplinar-se para investir
1. Encare os investimentos como despesas
Os especialistas normalmente chamam este item de “Pague-se primeiro”. É simples: parte da receita líquida precisa ser destinada aos investimentos assim que ela cair na conta. Nada de usar o hábito comum da maioria que “investe se sobrar alguma coisa no fim do mês”.
Aquele que só investe quando sobra está disciplinado a não investir quando pode. É preciso inverter a equação e investir quando o dinheiro está disponível e disciplinar-se a viver com o que sobrar depois de respeitados os objetivos futuros (alvos do investimento).
2. Automatize seus investimentos
Conheço muita gente que reconhece que só consegue adquirir bens e construir patrimônio se tiver algum carnê para pagar. É aquele caso típico de quem compra carro financiado e considera que a hora de trocar de carro chega quando as parcelas acabam. “Hora de trocar de carro e pegar outro carnê”. Já viu esse tipo por ai?
A boa notícia é que este grupo também pode investir através de boletos e aplicações programadas. Investimentos de longo prazo como previdência privada podem ser contratados de forma a tornar o objetivo uma “dívida” (lembre-se do item anterior), bem como fundos e poupança podem ser alvo de investimentos programados através do Internet banking.
3. Crie uma rotina em outra área de interesse
Por fim, há um número grande de leitores que reluta em aceitar que a disciplina pode ser aprendida e incorporada como um novo hábito. Estas pessoas insistem em apoiar-se na muleta da desculpa de que “Para mim, não é tão simples colocar a disciplina no dia a dia”.
Façam como eu: esqueçam a ideia de mudar um hábito antigo e comecem algo totalmente novo, em outra área. Eu era sedentário e pouco disciplinado (para piorar, sou um TDAH diagnosticado). A rotina era questão de sobrevivência, então apelei para o esporte e comecei a caminhar, depois trotar e, finalmente, correr.
Os treinos precisam ser respeitados e essa realidade mostrou que eu poderia agir de forma semelhante com outras áreas da minha vida. Parece simplista, mas funcionou muito bem no meu caso. Depois de oito anos assim, tudo mudou bastante por aqui. O que posso é dizer é: experimente.
Fico por aqui. Deixei sua opinião no espaço de comentários e também no Twitter – sou o @Navarro por lá. Abraços e até semana que vem.

Nenhum comentário: